As Inovações da TV Digital no Brasil e No Mundo
A televisão digital é um sistema de radiodifusão televisiva que transmite sinais digitais em lugar dos analógicos. Mais eficiente no que diz respeito à recepção dos sinais, a transmissão digital apresenta uma série de inovações sob o ponto de vista estético, como a possibilidade de ter-se uma imagem mais larga que a atual e com um maior grau de resolução, bem como um som estéreo envolvente, além da disponibilidade de vários programas num mesmo canal. Sua maior novidade, no entanto, parece ser a capacidade de possibilitar a convergência entre diversos meios de comunicação eletrônicos, entre eles a telefonia fixa e móvel, a radiodifusão, a transmissão de dados e o acesso à Internet.
Na noite do dia 2 de dezembro nasceu uma nova televisão. Isso não significa que a sua televisão morreu, mas vai morrer. Naquela noite, com direito a discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, começaram as transmissões da TV Digital, ferramenta que, segundo especialistas, vai criar um novo padrão quando o assunto for ver televisão. De imediato, pouca coisa muda, até porque, o sistema digital só funciona na cidade de São Paulo. Além disso, nenhuma emissora desenvolveu programação interativa, que é um dos maiores diferenciais da novidade. O grande impacto, por enquanto, está na qualidade de som e imagem.
Não se trata apenas de melhora quase imperceptível. Quem tem televisão com a antiga anteninha acoplada e sofre para achar uma posição dela que alie boa imagem e som vai parar de sofrer e até abandonar o folclórico pedacinho de palha de aço, cuja contribuição é duvidosa, mas muito freqüentemente usado. Com o adaptador para o novo padrão, som e imagem terão qualidade digital - ver a novela, ou o jornal, vai ser como assistir a um DVD. Morreu a antena. E a TV analógica morre em 2016, ano em que as transmissões nesse padrão serão cessadas e aí, para assistir televisão, só mesmo digital. O prazo foi estabelecido pelo governo federal para que a população tivesse tempo de se adaptar. Afinal, a União não queria que todos tivessem de comprar aparelhos televisores novos de um dia para o outro, pois seria um desastre sob vários aspectos, até do ponto de vista político.
Por isso, fez acordo com a indústria para a fabricação dos adaptadores, naquilo que, a priori, parece outro tiro no pé, já que muitos casos o conversor sai mais caro que uma televisão novinha - os preços do aparelho adaptador variam atualmente entre R$ 500 e R$ 1.100. "A indústria teve um prazo muito curto para lançar os equipamentos, apenas um ano para começar a lançar as unidades conversoras", aposta Fabbryccio Cardoso, pesquisador da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Mesmo assim, há muita gente que se apressou em comprá-lo para aproveitar desde já os primeiros benefícios da TV Digital. Mas antes de sair atrás de um conversor tome cuidado. A pressa em usufruir da qualidade da TV Digital esbarra em um problema.
O software utilizado para colocar em prática a interatividade ainda é alvo de desconfiança por parte de setores industriais. O Ginga, desenvolvido por pesquisadores brasileiros, com destaque especial para o trabalho liderado por pesquisadores ligados à UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e à PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), não foi instalado em muitos conversores vendidos. Isso significa que, quando as emissoras começarem a produzir programação interativa, será necessário um novo conversor, ou seja, mais gastos para o consumidor. Preste atenção na hora de comprar o aparelho e verifique se ele vem com o Ginga instalado.
Padrão Nacional da TV - Digital
O padrão de TV Digital adotado pelo Brasil é considerado um dos mais modernos do mundo. Ele foi baseado no padrão japonês, mas atualizado. Quando se fala em padrão de TV Digital, grosso modo, refere-se a três coisas: compressão, modulação e interatividade. "O que foi adotado do padrão japonês, o que não significa o padrão japonês, é a tecnologia de modulação e transmissão de sinais. Por uma razão histórica muito clara: trata-se do último sistema e o mais avançado. O Brasil seguiu a trajetória histórica de acompanhar a evolução e tomou uma decisão acertada porque temos aqui uma situação de precariedade de infra-estrutura de transmissão e recepção", explica Zuffo.
A modulação está associada à transmissão do sinal, que nesse caso é igual ao modelo japonês, e a interatividade com o software usado para essa interface, no nosso caso, o Ginga. A compressão diz respeito à forma como a mídia será comprimida para ser transmitida. No outros padrões, como o dos Estados Unidos e Europa, o padrão de compressão utilizado é o MP2. No nosso, o padrão é o MP4, mais especificamente o H264, que comprime 3 vezes mais do que o MP2, mas mantém a mesma qualidade de som e imagem.
Esse é o grande diferencial do padrão brasileiro. "O nosso sistema é o mais avançado nesse aspecto porque é o único que permite multiprogramação em alta definição", diz Cardoso. Essa "economia de espaço" significa que haverá lugar para mais canais, o que hoje é um problema no sistema aberto analógico. Por isso, Zuffo aposta que em cerca de dez anos poderá haver devolução de canais. "É necessária a criação de proposta de como esse espectro será ocupado", afirma ele. Ele diz que existirão mais canais e mais programas dentro destes. "Haverá uma ampliação da oferta que deve ser pensada e racionalizada, inclusive dentro de um novo marco regulatório. O conceito de ter vários programas transmitidos no mesmo canal é uma mudança de paradigma tecnológico", disse o pesquisador da USP.
Para Zuffo, mais diversidade de programação assume relevância no momento em que a sociedade critica o conteúdo da TV. Esse cenário pode inclusive abrir espaço no espectro para canais universitários, hoje restritos aos poucos privilegiados que possuem TV a cabo. A TV passa a ser interativa e móvel. "Ninguém fala isso explicitamente, mas o celular será um tipo de dispositivo televisivo com a interatividade implícita. Você pode mandar um torpedo para a sua emissora."
Qualidade técnica de imagem e som
* Resolução de imagem - Os primeiros estudos sobre a melhoria da resolução da imagem foram realizados na universidade de Massachusetts, onde os aparelhos receptores de TV tinham apenas 30 linhas de vídeo. Ao longo das décadas de 1930 e 1940, os novos aparelhos já apresentavam 240 linhas de vídeo. Atualmente, um monitor analógico de boa qualidade apresenta entre 480 e 525 linhas. Na televisão digital de alta definição, chega-se a 1080 linhas com o padrão HDTV.
* Qualidade do som - A televisão iniciou com som mono (um canal de áudio), evoluiu para o estéreo (dois canais, esquerdo e direito). Com a TV digital, passará para seis canais (padrão utilizado por sofisticados equipamentos de som e home theaters).
* Sintonia do Sinal sem fantasmas - A TV digital possibilitará a sintonia do sinal sem a presença de fantasmas e com qualidade de áudio e vídeo ausentes de ruídos e interferências.
Interatividade
* Interatividade Local - O conteúdo é transmitido unilateralmente para o receptor, de uma só vez. A partir daí, o usuário pode interagir livremente com os dados que ficam armazenados no seu receptor. Um novo fluxo de dados ocorre apenas quando é solicitada uma atualização ou uma nova área do serviço é acessada.
* Interatividade com Canal de Retorno Não-Dedicado - A interatividade é estabelecida a partir da troca de informações por uma rede à parte do sistema de televisão, como uma linha telefônica. O recebimento das informações ocorre via ar, mas o retorno à central de transmissão se dá pelo telefone.
* Interatividade com Canal de Retorno Dedicado - Com a expansão das redes de banda larga, pode ser desenvolvido um meio específico para operar como canal de retorno. Para isso, o usuário da TV digital necessitaria não apenas de antenas receptoras, mas também de antenas transmissoras, e os sistemas, a capacidade de transportar os sinais até a central de transmissão.
Acessibilidade
* Facilidades para Gravação de Programas - A introdução de sinais codificados de início e fim de programas facilitará o acionamento automático de videocassetes ou gravadores digitais dos usuários.
* Gravadores Digitais Incluídos nos Receptores ou Conversores - Alguns modelos de aparelhos receptores ou mesmo os conversores poderão incorporar gravadores digitais de alto desempenho (semelhantes aos discos rígidos utilizados nos computadores) que poderão armazenar muitas horas de gravação e permitir que o usuário escolha a hora de assistir o programa que desejar.
* Múltiplas Emissões de Programas - A transmissão de um mesmo programa em horários descontínuos (um filme, por exemplo, iniciando de 15 em 15 minutos) em diversos canais permitirá que o usuário tenha diversas oportunidades para assistir ao programa desejado a um horário escolhido.
TV Digital via satélite no Brasil
Com uma antena parabólica e um receptor de satélite que receba sinal digital em banda C e apontando a antena para o satélite Brasilsat B3 os canais disponíveis são: RedeTV!, MTV, Rede Super, TV Gazeta, SBT, Band, Rede 21, MixTV, TV Cultura, TV Mundial, CineBrasil, SescTV, TV Educativa, TV Sul Bahia, TV MIX Limeira, Record, Rede Familia, CNT, TV Shop Tour, TV Ra-Tim-Bum, Rede Globo, entre outros canais. A qualidade da imagem é digital (igual da TV a cabo), porém algumas emissoras ( Globo, SBT, Record, MTV, Band e RedeTV! ) já exibem alguns programas em HD ( alta definição ).
Operadoras de TV por Internet
* Terra TV
* TV IG
* TV UOL
* Megamax
Meios de transmissão
Assim como a televisão analógica convencional, o sinal digital viaja por diferentes meios - que deverão continuar coexistindo após a adoção do padrão digital.[1]
* Terrestre - Transmitido por ondas de radiofrequência, os sinais digitais são transmitidos no ar e necessitam de antenas e receptores apropriados para a sua recepção. Este é provavelmente o meio mais aguardado da televisão digital já que seu custo econômico é o mais baixo, não há necessidade de pagar assinaturas bastando às grandes emissoras de televisão no país e suas retransmissoras efectuarem as devidas adaptações, exigindo também da parte dos consumidores, a aquisição de novos receptores. No Brasil, algumas companhias de televisão por assinatura já transmitem a sua programação usando um sistema semelhante denominado MMDS. Em Portugal, a televisão digital terrestre foi inaugurada em 29 de abril de 2009, adotando, como no resto da Europa, o sistema DVB-T (Digital Video Broadcasting - Terrestrial).
* Satélite - Já em uso no Brasil desde 1996 através das TVs por assinatura de banda Ku (SKY, Tecsat e DirecTV) este sistema permite a captação do sinal digital pelos utilizadores residentes em regiões remotas. Desde 1997 existe um satélite público da Embratel transmitindo sinais digitais a antenas parabólicas específicas, denominado de banda C digital sem custos financeiros para a recepção.
Atualmente, existem vários satélites com transmissões digitais abertas, chamados de sistemas Free to air (FTA), em formato DVB encontradas em satélites como a série BrasilSat (PAS B1, PAS B2, PAS B3 e PAS B4), Nahuel, Amazonas, Hispasat, entre outros, com programação variada, desde canais abertos (Rede Minas, TV Record, RedeTV!), emissoras regionais, rádios e canais estrangeiros.
* Cabo - Utiliza redes de cabo convencionais CATV para transmitir os sinais digitais que chegam à casa do assinante via operadoras de televisão por assinatura. Implantado em 2004 em grandes cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro este meio de transmissão para televisão digital é atualmente o mais difundido em todo o mundo.
Normalmente as operadoras de televisão a cabo recebem quase todos os canais através de satélite. Após a recepção, filtragem e amplificação poderão existir dois processos para a transmissão no cabo, sendo um deles a codificação analógica dos canais (canais premium, pay-per-view, conteúdo explícito para adultos, etc) criando-se um empacotamento, modulação e depois a transmissão no cabo.
Alguns canais, dependendo do interesse da operadora podem ser transmitidos diretamente no cabo sem a codificação analógica, como é o caso da recepção dos canais locais da cidade em que a operadora de TV a cabo se situa, os chamados canais Off Air, porém passam pelo processo de recepção, filtragem amplificação, modulação e transmissão.
Em resumo, para os canais recebidos via satélite, eles são convertidos de sinais digitais (DVB-S), para sinais analógicos e depois transmitidos no cabo.
Progresso da implementação da TV Digital
No Brasil
O Brasil foi o único país emergente onde emissoras e indústrias de equipamentos financiaram parte dos testes de laboratório e de campo para comparar a eficiência técnica dos três padrões tecnológicos existentes em relação à transmissão e recepção dos sinais. Devemos dar destaque a Universidade Presbiteriana Mackenzie, juntamente com equipamentos da NEC, que realizaram diversos testes em laboratório e em campo, para a escolha do padrão de TV digital japonês. E a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) que em seu laboratório de Sistemas Integrados, chegou a criar um padrão totalmente brasileiro de transmissão. A TV Digital no Brasil chegou às 20h48min do dia 2 de dezembro de 2007, com pronunciamento do Presidente da República. Inicialmente na Grande São Paulo, pelo padrão japonês com algumas adaptações. A RedeTV! foi a primeira rede de televisão a exibir em São Paulo a sua programação em formato digital de televisão. No dia 20 de abril o sinal de Alta Definição foi liberado pela Rede Globo apenas na região metropolitana do Grande Rio. O sinal de TV digital também já está presente em Belém,Aracaju, Campinas,Cuiabá, Goiânia, Belo Horizonte, Maceió, Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba, Ituiutaba, Londrina, Vitória, Florianópolis , Salvador, Uberlândia, Uberaba, Teresina, Santos , Brasília, Joinville, Recife , Manaus, Sorocaba, São Luís, Campo Grande, Natal,João Pessoa, Palmas e Presidente Prudente.O sinal analógico será desligado em 2016.
Em Portugal
A 29 de Abril de 2009 começaram as emissões digitais em Portugal. No final de 2010, 100% da população estará coberta pela TDT. A 26 de Abril de 2012 a rede analógica será desligada.
Programas em Alta Definição
Além da transmissão digital, as emissoras optam também para a transmissão em Alta Definição, o HDTV. Veja agora alguns programas atuais 2010 em HDTV no Brasil:
* SBT: Hebe, Uma Rosa com Amor, De Frente com Gabi, A Praça É Nossa, Aventura Selvagem, Um Contra Cem, Domingo Legal, Cine Espetacular (alguns filmes), Tela de Sucessos (alguns filmes), Uma Hora de Sucesso, Eliana, Casos de Família, Supernanny, algumas séries, entre outros.
* Globo: Passione, Tela Quente, Separação, Futebol (principais jogos), A Grande Família, Força Tarefa, Temperatura Máxima (alguns filmes), Sessão da Tarde (alguns filmes), Supercine (alguns filmes), Domingão do Faustão (quando transmitido dos estúdios do Rio de Janeiro), Fantástico (alguns quadros), Domingo Maior (alguns filmes), Profissão Repórter, Globo Repórter (alguns programas), entre outros.
* Record: Ídolos, entre outros.
* Band: Primeiro Jornal, Dia Dia, Brasil Urgente, Jornal da Band, CQC, Jornal da Noite, Márcia, Futebol, Top Cine, Cine Clube, Toda Sexta, Jogo Aberto, Band Esporte Clube, entre outros.
* RedeTV!: Toda a sua programação é produzida em HDTV. Produções independentes (como seriados e desenhos) são transmitidos em SDTV.
* MTV Brasil: 15 minutos, Top 10 MTV, Scrap MTV, VMB, entre outros.
* Rede Vida: JCTV, Missa do Santuário da Vida, Tribuna Independente.
Brasil
A TV com formato digital tem início no Brasil em 1996 através da tv por assinatura via satélite como DirecTV e SKY. Apesar da imagem ser transmitida em sinal digital, esses sistemas não permitiam a alta definição e a interatividade era bastante limitada.
As discussões para a implantação da TV digital aberta no Brasil iniciaram-se em 1998 e estenderam-se por anos. Em 2006 foi feito o debate final sobre o sistema a ser escolhido e em 2007 foi lançado em São Paulo, e a primeira emissora a transmitir sinais em alta definição para o Brasil foi o SBT, numa cerimônia na qual esteve presente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Comunicações Hélio Costa.